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Qua 18 jan 06 Agência Estado n/d |
Agência Estado Os hackers invadiram as 12 mil lan houses do Estado de São Paulo. Os locais se transformaram em ponto de ação do crime organizado, disseminado em quadrilhas especializadas. Nessas casas, segundo o próprio sindicato da categoria, os criminosos cibernéticos roubam a senha bancária e endereço do internauta. Depois, vendem as informações em leilões virtuais. As senhas viraram moeda de troca na internet. A polícia admite as falhas na captura desses bandidos e alega falta de legislação específica para combater esse crime. A ausência de controle de identificação dos usuários desses estabelecimentos deixou em alerta os proprietários das lan houses. "Temos de admitir que pode ser perigoso mandar currículos e fazer transações bancárias nesses locais. Um hacker pode estar ao lado da vítima", diz o presidente do sindicato, Laércio Santos. De acordo com a Federação Brasileira de Bancos, os investimentos das instituições bancárias em segurança para evitar a ação dos hackers são de cerca de US$ 1,2 bilhão por ano. Mas essa verba pouco impediu a atuação dos ladrões. Em 2004, foram registradas 327 mil fraudes na internet, mas o número de operações realizadas pelos usuários chegou a 23 bilhões. De janeiro a setembro de 2005, o volume acumulado de fraudes pela internet saltou 688% ante igual período de 2004. O pesquisador Marcelo Lau, do Núcleo de Ciência Forense da Escola Politécnica da USP, explica como os hackers proliferam seus "trabalhos". Primeiro, enviam um e-mail. São falsos avisos de dívidas, cartões apaixonados, denúncias de traição e até programas para proteção do computador. "Não importa como é a abordagem, os hackers sabem atrair o internauta. Eles instigam o usuário a clicar nos links." Ao abrir essas janelas, automaticamente os bandidos passam a acompanhar as ações do internauta, como transações bancárias. Em pouco tempo, o bandido virtual já tem o nome, RG, CPF, endereço e senha do banco do internauta. Com essas informações, partem para a segunda parte do plano. Entram em salas de bate-papo específicas e negociam a privacidade da vítima. "Nas lan houses, o bandido troca a senha roubada por dinheiro, programas ilegais de computador, número de contas bancárias e de cartões de crédito. Depois, o comprador faz transferências de dinheiro, pagamento de despesas e compras", conta Lau. A vítima só fica sabendo que caiu no golpe ao conferir o extrato. Ao descobrir o crime, a primeira medida é registrar um boletim de ocorrência. Em seguida, o internauta deve ir à sua agência bancária. As informações estão na edição de hoje de O Estado de S. Paulo |